Praias no Espírito Santo

Centro Histórico de Mostar.



   Hoje é dia de conhecer a Bósnia-Herzegovina. O país conquistou sua independência da Iuguslavia em 1992, através de uma guerra civil dolorosa e sangrenta ocasionando morte de quase 300 mil pessoas. A população local consiste na maior parte por bósnios, depois sérvios  e  por último de croatas, com uma forte relação entre a identidade étnica e a religião onde a maioria dos bósnios são mulçumanos, dos sérvios, ortodoxos e dos croatas, católicos.


  Por causa das três religiões marcantes, o país adotou uma república presidencialista tripartida com três representantes: bósnio, croata e sérvio. Pelo que eu entendi, há uma rotatividade de poder, não exercendo todos ao mesmo tempo. A capital nacional é Sarajevo e a graciosa Mostar é uma das principais cidades. A moeda local é o marco bósnio (BAM), mas o turista paga por suas compras e refeições em euro ou kunas (moeda croata) sem problemas.

  Melhor período de visitação é nos meses de Abril e Maio. Eu fui no finalzinho de Maio, ainda com um clima fresco, mas já ameaçando a altas temperaturas no meio do dia. Dizem que durante os meses de julho até setembro a temperatura esquenta bastante, causando até mal estar aos transeuntes.

   A principal economia local, antes da guerra, era a indústria bélica, produzindo armamento para antiga Iuguslávia, mas a guerra não permitiu que ela se mantivesse por muito tempo, causando destruição na maioria das indústrias. Esse abalo não foi só na economia local, mas também na vida de milhares de famílias que tiveram que se deslocar forçadamente, causando desemprego em quase todo território.

   Fechei pacote com uma agência em Dubrovnik para um bate e volta, e o ponto de encontro era em frente do Hotel Hilton Imperial.


HOTEL HILTON IMPERIAL - DUBROVNIK
   Chegando ao ponto de encontro, percebi que ele é o principal ponto para todas as agências que fazem passeios ao redor de Dubrovnik ou Croácia. O hotel fica muito perto do portão de Pile, uma das principais portas de entrada para a cidade medieval.


PORTÃO DE PILE AO FUNDO - DUBROVNIK
   As agências costumam ser pontuais e na hora marcada, 7h, muitos carros, vans e ônibus param ali para pegar seus passageiros. Hoje, pela primeira vez, estarei conhecendo às estradas ao norte de Dubrovnik e atravessando a fronteira rumo à cidade de Mostar.


PELO CAMINHO VOCÊ OBSERVAR CRIAÇÃO DE OSTRAS
   Indo de carro: A viagem é agradabilíssima, percorrendo o litoral da Croácia pela D8 e quando chegar na altura de Ston, você vira na M17.3. O percurso é de 140 km e pode ser feito em duas horas, sem paradas. Um pedaço do litoral do Mar Adriático pertence à Bosnia-Herzegovina, por isso, pra quem faz a opção desse trajeto pelo litoral, passa por duas fronteiras até chegar literalmente na estrada M17.3 que te levará até Mostar.


CRIAÇÃO DE OSTRAS
   Há duas opções de caminho por dentro que pegaria somente uma fronteira, mas acredito que a prudência em lugares desconhecidos é a alma do negócio. Essas estradas são desertas e caso haja algum imprevisto, não terá como pedir ajuda. 


DUBROVNIK - MOSTAR
   Uma observação: as agências de turismo evitam passar pelas fronteiras principais, maiores, com mais movimentação de veículos, então, pegamos um caminho para uma secundária, onde o fluxo de carros é menor e com mais chance de não perder tanto tempo apresentando os passaportes.



   A passagem pela fronteira foi super tranquila e cada turista é responsável pelo seu passaporte, então convém que cada um, dependendo de sua nacionalidade, esteja preparado com seus vistos e passaportes válidos para visitar outros países, caso seja exigido. No caso do Brasil, não precisamos de vistos, nem para a Croácia, nem para a Bosnia-Herzegovina.



   Indo de ônibus: o percurso foi feito em mais tempo, pois o ônibus não pega a M17.3, fazendo duas paradas programadas: uma na cidade de Metkovic, em um estacionamento de um hotel, para tomar um café e ir ao banheiro e a outra, em uma vila chamada de Medugorje, onde seis crianças tiveram uma visão da Virgem Maria em 1981. O Vaticano ainda não se pronunciou de forma definitiva a respeito desse assunto, mas desde então, a cidade se tornou um importante local de peregrinação.


DUBROVNIK - MEDUGORJE
MEDUGORJE: IGREJA DOS FRANCISCANOS AO FUNDO
   A igreja dos franciscanos em Medugorje está preparada para receber peregrinos do mundo inteiro, apresentando uma boa infraestrutura, como: pátio aberto com cadeiras, banheiros e confessionários. O espaço é grande, não como o Santuário de Fátima em Portugal, mas aconchegante.


MEDUGORJE: IGREJA DOS FRANCISCANOS
MEDUGORJE: IGREJA DOS FRANCISCANOS
MEDUGORJE: IGREJA DOS FRANCISCANOS AO FUNDO
   De Medugorje à Mostar são mais trinta minutinhos pegando a R424.
MEDUGORJE - MOSTAR
   A cidade antiga de Mostar me lembrou um pouco Tanger, no Marrocos, talvez pelo domínio dos muçulmanos nesse local. O turismo é quase todo concentrado perto da Ponte Velha que se chama Stari Most a qual é a principal atração, símbolo do lugar que une os dois lados da cidade velha e cruzando o principal rio do país.


MOSTAR: PONTE VELHA OU STARI MOST
   A ponte foi construída no século XVI, considerada uma bela arquitetura islâmica, a qual foi bombardeada para eliminar a principal passagem da população de um lado para o outro do rio Neretva e reconstruída após a guerra civil.

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LOGO NA ENTRADA DA CIDADE VELHA VOCÊ JA ENCONTRA AS LOJAS, UMA AO LADO DA OUTRA 
   Após a guerra e a reconstrução de todo o centro histórico de Mostar, a Unesco tombou o local como Patrimônio Mundial da Humanidade. Há alguns vestígios de guerra no local, que talvez foram mantidos para relembrar à população da dor que uma guerra causa, promovendo paz entre as etnias e diminuindo, quem sabe, a intolerância religiosa.







   Chegando a cidade antiga, você já percebe a movimentação do comércio com lojas uma ao lado da outra, disputando espaço com restaurantes e mesquitas.

   Ao chegar à ponte, você se depara com uma engenharia milenar, onde, por causa da sua curvatura, há faixas de pedras simulando falsos degraus, tanto na subida quanto na descida. 


STARI MOST 
STARI MOST 
   A vista da cidade pela ponte é especial, podendo percorrer com os olhos o percurso do rio Neretva e localizar algumas construções importantes, como a mesquita Koski Mehmed Pasa a qual disponibiza ao visitante, subir em seu minarete (torre) para apreciar a paisagem.


mesquita Koski Mehmed Pacha ao fundo


  Após atravessar a ponte, em seu lado direito, há uma loja que mostra ao visitante, por um euro, uma retrospectiva da historia da ponte antes, durante e depois da guerra. Foram momentos muito difíceis, retratando os bombardeios incessantes até a destruição e sua queda, e depois a sua reconstrução e inauguração. Eu gostei de assistir, mas vai da prioridade de cada um querer assistir ou não.

   As lojas vendem mercadorias como jogos de chás, luminárias, bijuterias, artesanato em cobre, tecidos, tapetes, cerâmicas pintadas à mão, bolsas de couro, bandeiras e souvenirs em geral. Para os interessados em comprar algo, a negociação de preço é a alma do negócio.



  Há uma ONG Norueguesa que faz um trabalho humanitário com as famílias da Bósnia-Herzegovina que foram arruinadas pela guerra. Eles chamam de "shopping with purpose", seria uma compra por uma causa nobre, em contribuir para economia dessas famílias. Quem estiver interessado, segue link da ONG BHcrafts.

  A comida típica da região é o famoso cevap, com carne moída enrolada e grelhada na brasa, pão árabe e salada.


PÃO ÁRABE
CEVAP

CURTINDO UM POUCO A VISTA



NÃO FIQUE PREOCUPADO ONDE COMER, PORQUE VOCÊ ENCONTRA RESTAURANTES AO LONGO DO CAMINHO
VÃO DOS MAIS SIMPLES ATÉ OS ELABORADOS.
   O passeio contratado em Dubrovnik foi bem ligeiro, por isso, sugiro que pernoitem na cidade para que possam aproveitar com calma a visita e que usem sapatos confortáveis, pois a cidade velha é toda de pedras encaixadas e escorregadias, causando um desconforto para quem for caminhar de salto.





Outros pontos de visita:
  • a casa museu Muslibegovic, que foi construída há mais de 300 anos e hoje é um hotel;
  • a mesquita Koski Mehmed Pacha;
  • a ponte Kriva Cuprija de 1558, no lado croata da cidade;
  • o cemitério da cidade que fica no centro da cidade, devido a guerra, os sobreviventes ficaram encurralados e tiveram que enterrar seus entes nas praças da cidade.

  Pela estrada você pode observar os plantações de parreiras e os sistemas de irrigação. O local também é conhecido por seu vinho local.










4 comentários:

  1. Olá! Vc pode compartilhar o nome da agência com as quais vcs fez os passeios para montenegro e bósnia? Pretendo ir em agosto e sem a intenção de alugar um carro... seria de muita utilidade chegar lá com uma ideia rs! Obrigada!

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    Respostas
    1. Oi Cella!
      Não me recordo o nome da agência, mas há muitas localizaras na cidade velha de Dubrovnik e que oferecem o mesmo passeio.
      Na época, eu tinha feito um comparativo de preços e percebi que valia mais a pena pagar na hora.
      Eu estou curtindo por saber que você está lendo os post. Assim consegue planejar direitinho sua viagem, parabéns pela atitude!
      Havendo mais dúvidas, pode perguntar. Abraços.

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  2. Mais um excelente post! Dicas anotadas! Já li que é possível subir na torre da mesquita e já fui pesquisar o horário de funcionamento! Com certeza irei lá também! Óh céus, agora falta pouco!
    Beijos,
    Lily

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  3. Obrigada Lily! Sua viagem será inesquecível! Bjão

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Obrigada por sua mensagem!